E da promessa do amanhã na almofada dormida no lençol do teu corpo ontem este pano de fundo cinzento no contraste dos teus olhos de pai terra
E verdes são os campos cor de limão e verde é a cor do meu coração. O meu poema preferido transformado em inúmeras folhas que espalho no chão do quarto.
Nascem flores, amor, de espanto.
quinta-feira, 27 de março de 2014
De um molho de fogos e a fita de cordel soltos no vento beijos em arrozais garças muito brancas e o verde perfume discreto e cheio de uma frondosa largueza sois o canto e o díspar espanto amarelo esplendor dos girassóis de Beringel meu amor de tanto encanto.
A bancada é preta, de pedra e os bancos altos fazem deste sítio o melhor do mundo para petiscar um refinado queijo e um encorpado tinto. Como pano de fundo estão os nossos queridos jazzistas a encher a sala de uma multidão invisível. E o teu sorriso resplandece na luz discreta e suficiente deste nosso segredo à beira do amor plantado.
Tudo em harmonia desenha o teu rosto em expressões musicais; como se os teus pensamentos se dissolvessem em perfumes de ervas, aquele que compramos juntos, e dos teus dedos saíssem harmonias de Rachels’s.
Não há nada que mais satisfaça um coração, que um sorriso radioso à beira amor plantado.
E os teus ombros de folhas que descubro o chão com um sopro ao teu ouvido branco muito branco como a luz do verão que se entorna pelo chão comprido e escuro os teus olhos de árvore e a tua alma de andorinha
Onde nasceu o sol, naquele preciso espaço exíguo entre a tua perna e a tua virilha; foi precisamente aí que deixei um beijo como quem penitência de joelhos uma doença, na esperança de nascer o sol, todos os dias, com a mesma inclinação do amor, como naquela madrugada que desfolhaste os lábios da minha carne e em espasmos fizeste nascer o sol nas minhas coxas. Onde depois nasceu a lua, o reflexo prateado dos teus cabelos grisalhos na fantasia cheia duma respiração crescente; e a tua boca amor, fendeu-me por dentro e dos meus lábios nasceram voos para as tuas mãos.
...e todos os dias, guardo o perfume tão carnal do nascer do sol.
No voo mais alto do passaro poisam sobre o ninho as nuvens que chovem na aldeia. Pequeno. Pacato. Discreto. Ele vive acima de todas as coisas na serenidade de quem simplesmente voa. No passo mais baixo do seu andar o homem mais alto do mundo, com os pes na aldeia e o peito molhado, vive com a cabeca nas nuvens com o dessossego de quem nao consegue voar.
O passaro nunca deixou de o visitar, nem o homem de o olhar.
Já te contei daquela vez que o mundo parou, daquela vez em que a água do nosso lago vibrou com uma libelinha, que o sol aquecia os meus ombros escondidos debaixo do chapéu e que quando os melros vieram comer, senti que o mundo parou quando te vi?
Às vezes esqueço-me de contar estas coisas porque as gravo tanto dentro do peito que se tornam os meus tesouros e deles nascem primaveras todos os dias.
Se calhar é por isso que não te contei. se calhar é por isso. se calhar. é por isso. isso. é.