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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Espelho

É uma ampulheta o tempo ausente
estradas de linhas que são o teu corpo.
Conversa aqui e ali ao longo de verdes 
e flores por ti assinaladas. 
O desejo estende-se numa saudade 
volta ao mundo em balão.



São os teus olhos em todo o lado 
e o teu pensamento 
sobrevoa-me como uma neblina que distorce a luz.

Fica tudo da mesma cor
as palavras ecoam em todas as arestas onde se partem 
infinitos cintilantes fragmentos 
dispersam-se 
invisíveis por toda a cidade. 

Todas as pessoas são iguais a ti
a cidade mais não é que o teu reflexo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Água



Movo-me como a água,
jardim encantado, os dedos como gotas,
pousaram em ti.

O rio a dominar o leito por onde passa.

Água a correr sobre ti.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014







tu escreves os versos
eu leio-te
estamos onde? no quarto, no quintal
eu penso: -sempre
tu sussurras um unguento
eu escuto-te porque sei o que dizes mesmo quando não te oiço
tu pensas: - está frio, a que distância estará o sol?
eu corro: -vou comprar cartão e o alogénio todo do mundo para te iluminar
tu quiseste uma casa
eu quis uma casa
somos o espaço
tu humedeces os teus lábios
eu penetro nos teus olhos
tu vagueias numa ideia, nas tuas vastas ideias
eu sou a vígilia e a noite clara
tu és o verde e uma cor designada, perfume do meu jasmim
eu espalho as sementes das flores que quero que te cerquem
tu acordas
eu aqueço o leite
tu estendes-te no sofá
eu rejubilo
tu beijas-me
eu beijo-te


sexta-feira, 4 de julho de 2014

To my Bunita



Sumiste-te na graça de um colibri
perfumando os sentidos,
gentilmente

uma ágata ébano e gengibre
formiga vermelha de beliscadura fina,
dolorosa, inquietante e muito viciante
a gotejar numa mimíca de adivinha da tua voz

lento bater nessa pele sempre capa de um verso
doçura no leve desprender desse toque
antes do próximo toque
momentos azuis e depois carmim
uma metáfora que mate a metáfora
de seres a Deusa inequivocamente singular.

Num só verso desenhar o inimitável de ti
verter num chão sagrado
pétalas a teus pés.

Língua, silêncio e o delírio,
destes versos, nem a morte nem canções
levarão.







sexta-feira, 13 de junho de 2014

A change?


Talvez mude
recordo-me,
todas as gatas
foram alcatrão e os pneus gastos
pele arranhada e as marcas para mostrar
herói dos afagos nocturnos e de perto
cheirar-lhes os segredos e o que mais nem elas sabiam
fugidias e lapas em rocha agarradas
as gatas são luas de face oculta
e máscaras sobrepostas, todas metidas na carne e a verter sangue, lágrimas
e em tantas outras noites, cheias
busquei-as nos quatro cantos
sabê-las é ter por dentro todas as emoções e os afectos
perceber a própria vida, muito clara e de letras grandes
encher-me de camadas compactas
onde nada mais cabe, nem nos intervalos
talvez mude, não quero sair do lado a preto e branco da lua que descobri
talvez
gosto deste lugar que erguemos e donde sempre te vislumbro, gata destemida
e acresce que gosto dos nomes que dás às flores.


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Before Coming The Sun





antes de vir o sol
repousarei um beijo na tua face
das palavras de onde edificas poesia
o teu rosto myosotis
e um corpo coberto de tule e cambraia
são o primeiro lençol do dia
e as mãos de um absoluto envolver
o meu mais querido amanhecer



quinta-feira, 1 de maio de 2014

A Bica



A claridade que desafia o pó
num jogo estranho e indecifrável
no enleio de linhas infinitas, tecem-se
revolvem-se e envolvem-se, as míriades desse pó
na contraluz jogado, apenas à luz intensa se desnuda
inertes façanhas, fixa-me o olhar nessa observação
de uns instantes detido
gosto desta reveladora amálgama crepuscular
contra o opaco e o obscuro
a determinação do sopro ondulatório
da ambiguidade das ínfimas partículas
gosto de olhar muito e diluir-me no emaranhado do pó, dos dias
e depois o fluir de ti.




quinta-feira, 27 de março de 2014



De um molho de fogos e a fita de cordel
soltos no vento beijos em arrozais
garças muito brancas e o verde perfume
discreto e cheio de uma frondosa largueza
sois o canto e o díspar espanto
amarelo esplendor dos girassóis de Beringel
meu amor de tanto encanto.





sexta-feira, 7 de março de 2014



Excessivo dizer de ti
As pérolas de frente
Alinhadas num pendente
Doce morte no teu peito
Glória de te ver
O justaposto contraponto em te receber
Vestes muito compostas
Tecido justo no teu corpo sibilante
retorno em um gesto terno
Púrpura vermelho ocre
Destemida languidez
Rejubilo com as marcas dos teus pés, danças
Frémito sonhado, concretização invisível
E depois sobre um acumulado de rios
Desafio a correnteza e essa incerteza dos dias
Conto mil poemas, junto as letras
Pequeninas vagens segmentos do beijo
Excessiva demora um tempo à espreita da luz
Sobejamente cheio de luz
Arde fogo
Situado num vagar de te ver, joelhos no chão
Trago estas pérolas nos dedos
Na boca uma trova

Escavei entalhes num pau e anunciei a morte do sol
A vitória crepuscular
Espalhei-me espaço fora e cobri tudo de jasmim
O vento troquei por perfume
Alexandria, roubei! E do cinema, beijos
Nem cólera nem dor , só espanto
De te dar, de seres, por termos, infinito inscrito.


quarta-feira, 5 de março de 2014

Céu de noite



Até um simples Cair de folha
Desenha no ar a tua figura
entre um vidro fino, uma seda
arrastados passos encobertos de noite
desvendamos a filigrana, o teu desenho secreto
um reencontro na luz dos teus olhos
invento uma carícia e seguro-te os cabelos
Poeta e Leão.

Reuni todos os despojos, acorri ao topo do monte
esconjurar tudo e o que não é digno de ti,
um só caminho
por entre cotovias e gentis vinhas
apenas isto, nem perguntas nem cogitações
apenas isto, água
Invoco o louco cometa e astros designados
de um só trago, pronto e penitente, sorvo-te!
abandono na fonte esse torpor, medo
ergo-me e aponto-te lá longe, muito depois do horizonte
solto um uivo, aberto o peito em que te faço minha
e da madrugada vermelha saúdo-te,
o orvalho gelado a reflectir o céu
respirar amanhecer de espanto
no frémito milagre de te fitar assim.


segunda-feira, 3 de março de 2014

É o teu corpo


É o teu corpo
frágil esguio erótico
que persigo
e frenesim constante
obsessão
deitado lá longe
escorre como mel essa lembrança que levo até Júpiter
prescrito mundano sou fiel ao teu busto
dos teus gestos delicados
escuto o rumor e ponho-me a adivinhar a surpresa
não me importa o subjectivo e desdenho o substantivo
invento adjectivos e letras, caracteres
as musas quero mortas
fixar só apenas este amor de ti
reduzir o amor em amor
e só amor ser
ser só este rosto que olha o teu
rugas marcas cicatrizes
cabelos brancos cabelos negros
morrer em ti
que eu também já fui poeta
mas agora sou muito mais que isso
sou teu


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A ponte




Metal intacto, estrutura pré-esforçada
ferro, cobre e bronze
o labor do homem, tensão de esforço num rebite
vertigens passo a passo a subir
tocamos o céu
com os pés assentes no lodo
correntes que nos desviam
reacções de deslocamentos variáveis
resistimos, ventos e cargas desmedidas
rolam para cá, aceleram para lá
não se repetem,
aleatoriamente blocos de chapa em movimento
uniformemente acelerados
parâmetros de atrito
o rosto nevoeiro
mastros incógnitos
máquinas de combustão interna
o carvão da nova era
carbono de um cansaço anunciado
escorre a gusa, moldamos o aço
permanece homem
o negrume da terra azul



sábado, 25 de janeiro de 2014

Porn Sword Tobacco vs 0-1

Não fora esta liturgia de sangue espalhado
E ditaria conjuração sobre espaço e tempo
Deter-te nas minhas garras
Saciar todo o meu capricho
Só um livro, só um gesto
E permanecias a meus pés
Pronta e destemida, o desafio que pagas caro
O espaço feito caos, essa silhueta de cabeça pendida
Sinuosa coisa de carne exangue
Perpetrar-te o golpe, secar o sexo
E plantar o húmus no solo que te dá o chão.
Extinguir a cegueira e o sol que queima
Deixar a lua ser a prata que te reflecte
E o cuspo na tua face, o orvalho matinal
As mãos em ti, cravadas
São o ultimo desejo e a ordem que detém o tempo, sangue do meu sangue.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

nas folhas



desfalecem as folhas
vermelho outonal e o amarelo ocre
a cada passo espalham-se
a cada dia o verão mais perto
o estertor dessa ruína
deve ser o teu olhar decerto
e a água limpa que desliza na tua silhueta
difusa noite de calor mais alto que o meio-dia de hoje
sonolentos beijos preguiçosos enleios
nada mais resta que o desejo permanente desse segundo

és o caule que brota de raíz profunda
a tirania dos meus afectos
o vórtice desta breve existência a teus pés


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

alfa beto



alfabetizar-te em dialectos inexistentes
só para escrever “meu amor” vertiginoso.
todas as letras têm o contorno exacto dos lábios
as sílabas o brilho do teu olhar e o poema
o perfume universo fonético.
a folha em linhas é o nosso sexo e beijar-te
é morrer orgasmos de espasmos em ponto final.
reticências.
Alfabetizar-te universal em conjugações escandalosas
Sem ponto

domingo, 15 de dezembro de 2013


desço trago a trago essa corrente de fumo
submersos navios à tona da madrugada
nos olhos rasos de silêncio em vagas de sono
propagam-se nos degraus da entrada

os dias somam-se na luz que dobra os telhados
nas estrelas sobre os joelhos

dormir sobre as raízes da tua floresta 


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O silêncio ou a busca dele




Gosto de não me esquecer que o silêncio, a folha branca, o céu azul e o mar quieto, são a base de tudo, o estado original.



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Onde day i was in love



One day I was in loved
in the other I was mesmerized
next I start to find the moon so near
I'm speaking for you all, seated here, up here
watching down, lights and all the seas
I can tell it's not that big deal...
It's far from what brought me here to start with.

But in loved I will be, no matter where I am
they say there is a Red place in Perú
and exquisit winds at orient
every thing is far when you're not around.






quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Condensação



beijos de marfim em mesa de mármore negro
entre colossais fios de ouro abandonados
ao encontro da aurora do teu amor

com que entornas o exercício de bater as asas.