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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Florbela


De ti sobraram as lâmpadas da noite no horizonte da planície. 
Guardei no entanto as papoilas usadas entre as letras dum livro que me ofereceste.
Que modo parvo de guardar a memória com cheiro a sentimentalismo barato. 
A julgar pelo aspecto gasto deveria imaginar as décadas das tuas mãos, mas não, prefiro guardar no horizonte a memória barata dum livro gasto.

Sento-me com a Florbela e aceno com a cabeça o quão pobres somos. As mesmas, sempre, para dizer várias coisas. 

Velhas e gastas, Florbela, velhas e gastas...


domingo, 7 de julho de 2013

Arte



Foram as palavras criadas
do pó e do éter pensado
descodificado o mundo
e os mistérios revolvidos
acima de ti e de mim a Arte
Helénicos e Gregos trovadores
a encenar o súbtil, as lágrimas e o sangue
o ciúme e a paixão
os mitos e as Deusas
templos de multidões
espetáculos e a eternidade
é preciso incendiar esse chão que pisam
imular os obscurantistas
e elevar o espírito que nos precede 
e faz de nós a praia mais iluminada 
aqui a Ocidente.