segunda-feira, 25 de maio de 2015
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Vazio.
A distância atroz de um centímetro
Cúbico
Cubículo
Minusquiculo.
Somos feitos de 99% de vazio.
Cúbico
Cubículo
Minusquiculo.
Somos feitos de 99% de vazio.
terça-feira, 19 de maio de 2015
Registo sem sentido
Caiu pela minha terra, encosta levemente inclinada de calçada tortuosa, o espasmo levemente doce da cerejeira, onde em consciência perdida, deixou o fundo buraco da sua raiz.
Almejei um dia tropeçar, mas detive-me com muito medo de nunca cair tão fundo
tão profundamente que não me acharia
eco.
Talvez petrificação, essa cobardia trazida pela vida de agarrar com as unhas e ferrar os dentes no pescoço da razoabilidade que é respirar.
Hoje em dia almejo que as asas nuvens possam cair, sem medo de não regressar.
Pois que pergunto: então e agora?
egoísta
esta gula de nunca mais te ler.
Até um dia destes cereja.
25/3/2015 - em reação à morte do Herberto Helder
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Água
Movo-me como a água,
jardim encantado, os dedos como gotas,
pousaram em ti.
O rio a dominar o leito por onde passa.
Água a correr sobre ti.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Desconheço
Há coisas das quais não se pode fugir, nem fingir,
a morte é uma delas.
A haver dúvidas basta inserir
delicadamente
os dedos no centro do mundo
e ouvir
de quantos lençóis amarrados se faz uma semana;
e se há, ou não, contas para pagar.
Em suma, nunca se deve procurar as estrelas de dia.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
tu escreves os versos
eu leio-te
estamos onde? no quarto, no quintal
eu penso: -sempre
tu sussurras um unguento
eu escuto-te porque sei o que dizes mesmo quando não te oiço
tu pensas: - está frio, a que distância estará o sol?
eu corro: -vou comprar cartão e o alogénio todo do mundo para te iluminar
tu quiseste uma casa
eu quis uma casa
somos o espaço
tu humedeces os teus lábios
eu penetro nos teus olhos
tu vagueias numa ideia, nas tuas vastas ideias
eu sou a vígilia e a noite clara
tu és o verde e uma cor designada, perfume do meu jasmim
eu espalho as sementes das flores que quero que te cerquem
tu acordas
eu aqueço o leite
tu estendes-te no sofá
eu rejubilo
tu beijas-me
eu beijo-te
sábado, 23 de agosto de 2014
Para além de ler, pensar quem escreve.
Como se um poema fosse uma fotografia, eu tento sempre espreitar pelo outro lado da objectiva para ver quem olha o retrato e o porquê do retrato... é uma espécie de bisbilhotice, como se o poema não chegasse; é sempre preciso saber quem o escreve e porque o escreve.
Que estaria ele, o poeta, a pensar?
Será que o que escreve é uma dissertação duma imagem na retina, ou será um filme; será o tempo do café, ou será um dia inteiro?
E porque é que escreve?
Para mim ler um poema é observar num loop infinito de tempo o próprio acto de escrever, por isso, a morte dos poetas é coisa que não existe enquanto houver a obra e quem os leia.
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