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segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Desconheço
Há coisas das quais não se pode fugir, nem fingir,
a morte é uma delas.
A haver dúvidas basta inserir
delicadamente
os dedos no centro do mundo
e ouvir
de quantos lençóis amarrados se faz uma semana;
e se há, ou não, contas para pagar.
Em suma, nunca se deve procurar as estrelas de dia.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Ninguém tropeça nos dias
As ruas cheias de vidros, plásticos, garrafas e pontas fumadíssimas de cigarros e algumas ganzas. Tudo era uma tendência inabalável para a morte poluída, como quem prefere o suicídio, à morte pelas facas do inimigo.
Cinzento, tudo muito cinzento e no chão desenhava-se com os dedos pinturas rupestres do que um dia foram as flores, o mar e a primavera. Agora, debaixo do desenho e dos dedos cinzentos, existia somente o vestígio do que outrora fora verde cor de relva; havia até alguns que através duma nova tradição oral, conseguiam ainda relatar levemente o que fora uma floresta, ou qual o cheiro da chuva no campo ou até a que sabia o mar azul e verde.
Nada. Só existia cinzento e o mar, essa coisa agora intocável, servia somente como cemitério dos pobres.
As ruas. Cinzento. Nada.
E a memória do mar.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Já ninguém
Revolvem-se sombras geocentricamente em frente
vielas roucas de bairro arrastam demoradamente
preâmbulos monótonos da insignificância
carceres vulgarmente ocasionais
e já ninguém estranha.
Da vida e da sua exiguidade
preâmbulos monótonos da insignificância
carceres vulgarmente ocasionais
e já ninguém estranha.
Da vida e da sua exiguidade
ninguém lembra a causa de tamanho lapso
- é a vida – dizem com voz de cansaço.
Entre o pó esquecido dos dias afio o gume
desinteressadamente rombo da humanidade.
desinteressadamente rombo da humanidade.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Título de jornal: "Património natural ameaçado por especulação"
treme o cigarro compulsivamente contra o cinzeiro aborrecido
vascolejas opinativas respeitabilidades estatísticas do falecido
21 gramas é o que se esfuma. heurísticas
subtraídas à instrução ignorante da negligência de viver
apagas o vicio enervado passivo funeral
contra o pano de fundo da mediocridade
e definhas folhas de silêncio
em decrescente contentamento melancólico
porque o pensamento é um alcoólico
em vias de extinção
cancro em remissão
na Lei Seca da liberdade.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Diagnósticos
Os diagnósticos são inúmeros. Aqui fica mais um olhar sobre a nossa situação.
Pessoalmente servem apenas para filtrar algumas coisas e tirar as minhas próprias conclusões, uma vez que o meu propósito é depois da reflexão a acção.
Diagnósticos - Link da Atlantic.com
Pessoalmente servem apenas para filtrar algumas coisas e tirar as minhas próprias conclusões, uma vez que o meu propósito é depois da reflexão a acção.
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