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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Bocage


"Soneto do prazer ephemero

Dizem que o rei cruel do Averno immundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para metter do cu na aberta greta
A quem não foder bem ca neste mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixae essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.

Si pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Sinão para foder com liberdade?

Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto ja; que é curta a edade,
E as horas do prazer voam ligeiras!"




Quando era miúda e andava atrás dos livros de poesia dos meus pais, fui dar com uns muito amarelos e empoeirados livros escondidos atrás dos épicos - diria agora que estavam escondidos à espera de eu ter a altura certa para os descobrir, foi então que ao folhear, a minha pré-adolescência corou envergonhada de empatia.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

(m)ar



permanece pena pairando
no ar ondulando
as pernas
e a seguir andar
de gatas pena ondulando
permanece pairando devagar
morrer à fome
em pleno mar


pairando as pernas
brandura insónia
ondulando pena boca
de gatas permanece sem ar






domingo, 1 de setembro de 2013

Veneno



Rasteja até mim.
Subrepticiamente surpreende-me
no altar de ti inocular o teu veneno
segurar-te entre as mãos
curvas e linhas
assimetria do ébrio
desventrar-te num impulso insane
e morrer num esgar de prazer
nesse lugar de tudo e de nada
hipotálamo do inominável
são as veias acossadas
ocre veludo vício veneno.
Rasteja até mim.



domingo, 16 de junho de 2013

Vagas quentes no lençol da boca



Extracto liquefeito de memórias vagas
o teu corpo lençol
na minha boca
o teu braço morno e o sexo quente.

O abismo entre as minhas pernas
é uma ponte feita de
palavras.

Um auto retrato em luz de verão.

O meu ditongo da saliva que não sei conjugar
no mecanismo persistente do tempo
conjura-me os pêlos do abismo que
julguei inoportunos.
Ingenuidade.

No olhar alado do sono
espero-te estátua de mel
no formigueiro de uma papoila.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Perpetua-se um nevoeiro que me tolda a inteligência


Trago nas mãos dentro do bolso das minhas coxas, a imagem embrulhada de ti; com um sorriso afunilado lá longe humedece-me os lábios de cereja feitos de beijos. Os passos pisados de uma calçada agastada pelas pressas ficam indiferentes ao que trago enrolado nos dedos, como se fosses tu a brincar com o meu cabelo - ainda sinto o calor amor das tuas mãos.
As pernas novelo desembaraçam-se lânguidas na almofada do sono e o sol nasce devagar perante a minha contemplação das tuas nádegas, porém, o dia despe-me a epifania onírica e saio de casa com os dedos inchados do sonho.
Como um peixe na praia, sufoco lentamente com os dedos na boca - a minha petite mort; e as pedras agastadas continuam indiferentes ao que trago nos bolsos.
Esta dicotomia aparentemente paradoxal de uma cegueira que visto de lençol branco lavado antes de me deitar serve-me de colo ao embalo do sono que anseio e odeio. Descobri esta vergonha da singularidade que pensei nunca existir no bolso das minhas coxas - uma parede de taipa branca, sem janelas para o mar.
E sufoco lentamente com os dedos na boca.

domingo, 9 de junho de 2013

Tenho em mim esta sofreguidão de te comer


Morder todos os pedacinhos do teu corpo e guardar na minha língua o sabor férreo do teu sangue para depois lamber as tuas feridas dos meus tormentos.
Não me chega olhar-te assim, nunca me chega sequer olhar-te.Não me chega tão pouco tocar-te, nem sequer beijar-te.
Às vezes abraço-te com a força de te engolir molecularmente e encarnar-te na minha carne feita de pedras e ruelas escuras. 
Também não me chega pensar-te e muito pior me faz imaginar-te. 

A única coisa que me contenta temporariamente a vontade de te esventrar é a lembrança dos plácitos perdurados na minha memória de nós.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Shotgun Wedding



I want to uncover our box
the dust and dirt filled with lipstick
fuck you while I do some shooting
playing Naked City and screaming some Ducasse nasty lines
I want to leave sentences in the form of wounds
kiss you like an eruption
eat you like my favourite desert
be one with you inside a bullet
the most sharp end of a katana
art in a cave
I want you magnetic curve turning red, all the time.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Do sexo das palavras na tua mão

(imagem retirada da net)




A visão de ti
masturba-me
na ânsia
de te morrer depois do amor
e
despida de mim
amontoo fragmentos que bebo no teu umbigo.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Dia logos ex pes sos



- Desconheces o ódio da primavera. Sou inteiramente ascendente.
- Porque falas na primavera se és Inverno enrolado em si próprio?
- Porque de espesso que é o avesso das coisas consegues engolir o que na verdade sempre foi a temperatura quente dos meus ossos.
- Não acredito na queda…
- Não precisas, nem deves. Assim é muito mais escatológico.
- Puta!
- Muito…