Estou aqui a ler Herberto Helder, livro "As Magias", e confesso-me soterrada, meio abismada com o que leio.
Às vezes tenho a sensação que os grandes poetas o foram por sorte, porque nunca calhou tropeçarem numa faca, ou caírem da janela sem querer, ou espreitarem demasiado da ponte, repetidamente.
Ou então são uns heróis de coragem. Ficam prostrados ao vento em contrapeso com a gravidade e contra o mundo. São uns resistentes, uns lutadores.
Se continuo a pensar nisto fico com a ideia que de tanto escreverem a morte, morrer é a ultima coisa que querem e continuam a escrever como quem a enxuta à vassourada como se faz aos bichos.